Em Shirakawa-go com crianças

Salve família viajante, tudo bom?

Em fevereiro, no Japão é quando são registradas as menores temperaturas do inverno. E porque não aproveitar essa estação tanto quanto aproveitamos o verão?
Mesmo que não seja nossa estação do ano favorita, o inverno proporciona experiências únicas que não vale a pena deixar passar simplesmente porque não gostamos de frio. 

Fomos para Shirakawa-go em uma excursão com mais 19 pessoas para conhecer a aldeia de Ogimachi. Saímos de casa as 10:30 da manhã, em um domingo ensolarado. O ápice dessa excursão era o evento de iluminação que aconteceria das 17:30  as 19:30, por isso fomos um pouco mais tarde. A viagem demorou cerca de 2h30m - de Higashiura (Aichi-ken) até Shirakawa-go (Gifu). 

Antes de sairmos, arrumei o bentō (marmita) do Lucas, muito provavelmente estaríamos ainda na estrada no horário que ele normalmente almoça em casa. Como eu já falei no vídeo onde eu preparo um kit de viagens  pro Lucas, é importante manter os horários da rotina da criança sempre que possível quando estiver fora de casa. Logo que entramos no carro Lucas já dormiu, acordou 1h30 depois quando ja estávamos quase chegando, dei o almoço pra ele e ficamos olhando a paisagem totalmente diferente do de costume, era a primeira vez que ele estava vendo neve. 

Quando chegamos, comecei a preparar as roupas que íamos vestir para enfrentar o frio, e nesse momento, percebi que eu havia esquecido a roupa de neve do Lucas. 
Para a nossa sorte o dia estava MARAVILHOSO, ensolarado e sem vento. Lucas estava usando 2 calças, 2 blusas e mais a blusa de frio bem grossa. Pensei:  "bem, durante o dia ok, veremos como vai ser a noite". Como levamos o carrinho dele, falei pro Oberon: " vamos manter ele no carrinho o máximo que der porque eu trouxe 2 coberta pra ele, vai ficar quentinho", e assim fizemos. 

Se você está indo à Shirakawa-go com seu carro, em um dia de evento de iluminação, vai precisar parar no estacionamento privado, e para ir do estacionamento até a aldeia - e vice versa - é necessário pegar um ônibus (gratuito). Nesse ônibus não há elevador para cadeirantes, então o jeito foi levar o carrinho fechado mesmo. Ao chegar, o acesso à aldeia se dá por uma ponte suspensa bem estreita, se prepare para sentir umas leves "balançadinhas".

Bem no centro da vila, fica a casa Kanda Gassho Zukuri, uma das casas típicas mais preservadas, com mais de 250 anos. Para achar a casa eu usei o navegador do celular, já que era nossa primeira vez por lá, porém a vila toda é cheia de placas indicando as direções dos lugares.  A entrada custa ¥300 por adulto, recebemos uma breve explicação sobre a funcionalidade da casa, e detalhes impressionantes de como ela foi construída. Vou contar mais sobre essa visita em um  vídeo que farei em breve. O que quero falar aqui, sobre a visita na casa com crianças, é que todo cuidado é pouco. Essas casas são como museus, algumas com mais de 300 anos de histórias em seu acervo, então nada de deixar as crianças soltas de mais, sem falar nas perigosas escadas, essas casas podem ter até 4 andares.

 

Saindo da casa fomos andar pela vila, nessa altura o Lucas só queria saber de correr na neve. Não demorou 2 minutos ele caiu e se molhou todo. Pronto, ferrou! ele agora só tem mais 1 troca de roupa que eu havia levado pra quando fossemos embora, se ele molhasse essa não ia ter outra e ele ia ter que ficar molhado.  Fui ao banheiro dar uma olhada na situação, banheiro com trocador por sinal, usei o de deficientes, ele tinha molhado as 2 calças e até o body, tirei a mais molhada e deixei ele com a outra, deu pra aproveitar o dia brincando um pouco na neve, mesmo com pouca roupa, mas tivemos sorte do dia estar propício. Depois de brincar, usamos a tática de deixar ele no carrinho com as cobertas de novo, o que não contávamos era que ele não ia querer ficar coberto nem com as luvas. 

Assim que começou a escurecer, o frio foi ficando mais intenso, e o Lucas se recusando a ficar de luvas, touca e coberta, decidimos ir para o carro e esperar o pessoal lá. Coloquei nele uma roupinha bem quentinha, e seca. Ele comeu e pronto, o danado Lucas estava de volta! 

 Bom, essa foi a nossa experiência inesquecível, não contávamos que o Lucas não ia querer ficar empacotado, mesmo que com pouca roupa. Somos do calor, não tem jeito! Fica o aprendizado que nem sempre as crianças se comportam da maneira que pensamos ou que estamos acostumados. O mais importante é aproveitar sim, mas respeitando o limite de cada um. Não vimos a iluminação noturna dessa vez, mas, quem sabe da próxima se eu não esquecer a roupa de neve. 

Espero ter ajudado, até a próxima aventura!

 

 

 

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